Bruno Medeiros Durão e Lorena Pontes explicam por que as “taxas” são a isca mais comum e como buscar a devolução
Viih Tube usou as redes sociais na última quarta-feira (25) para relatar um episódio que tem se tornado comum em negociações digitais: o golpe da “taxa”. Ao tentar vender um sofá em uma plataforma online, a influenciadora, de 25 anos, diz ter sofrido prejuízo de R$ 6.800 após ser conduzida por mensagens, e-mails e links que aparentavam ser parte do fluxo “oficial” da venda.
A história chama atenção porque repete o mesmo padrão de fraude que atinge consumidores todos os dias: o criminoso cria uma narrativa de “processo”, simula atendimento e convence a vítima a sair do ambiente seguro do aplicativo, onde a plataforma tem controles, para pagar taxas fora do canal oficial.
Como funciona o golpe da “taxa” (e por que ele engana tanto)
Segundo o relato, tudo começou com contato de um suposto comprador. Em seguida, vieram e-mails com aparência profissional, identidade visual semelhante à de grandes marketplaces e orientações passo a passo. O gatilho do golpe costuma ser sempre o mesmo: a promessa de que o dinheiro só será liberado após o pagamento de uma “taxa de liberação”, “validação” ou “confirmação”.
Para o tributarista Bruno Medeiros Durão, do Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, a palavra “taxa” é usada como isca por parecer algo rotineiro. “Esse golpe funciona porque imita burocracia. O criminoso cria uma narrativa de processo oficial e empurra a vítima para fora do ambiente seguro do aplicativo. Em regra, quem está vendendo não precisa pagar para ‘receber’ o dinheiro. Quando a cobrança chega por WhatsApp, e-mail ou link, e não dentro do fluxo oficial da plataforma, é sinal de alerta máximo”, afirma.
Quais são os sinais clássicos de fraude em marketplace?
Alguns sinais se repetem com frequência em golpes de venda online:
1) Pedido de pagamento para “liberar” recebimento
Se você está vendendo e pedem para pagar algo para liberar o dinheiro, desconfie.
2) Link externo para “confirmar” recebimento
Golpistas enviam links que levam a páginas falsas ou disfarçam transferências.
3) Atendimento insistente fora do app
O criminoso tenta acelerar decisões por WhatsApp, telefone e e-mail.
4) E-mails “bem feitos” (mas fora do canal real)
Layout parecido não significa autenticidade: origem e domínio importam.
Caí no golpe: dá para recuperar o dinheiro?
Existe caminho, mas não há garantia, e as primeiras horas fazem diferença.
Em casos de transações via Pix, a orientação é procurar imediatamente o banco e pedir a abertura de contestação, com solicitação do Mecanismo Especial de Devolução (MED), voltado a situações com indícios de fraude. O procedimento pode permitir bloqueio e eventual devolução, dependendo da análise e da existência de saldo na conta de destino.
A criminalista Lorena Pontes, do escritório Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, explica que rapidez e documentação são decisivas. “A primeira providência é acionar o banco imediatamente e pedir o registro formal do caso, incluindo o MED quando for Pix. Em paralelo, é essencial registrar boletim de ocorrência e guardar tudo: prints, e-mails, números, links, chaves Pix, comprovantes e horários. Essa documentação ajuda tanto na tentativa de bloqueio quanto na investigação”, afirma.
Checklist rápido: o que fazer imediatamente após o golpe
- Acione o banco na hora e registre a contestação
- Solicite o MED, quando aplicável
- Registre Boletim de Ocorrência
- Guarde provas: prints, e-mails, links, chaves Pix, comprovantes, horários
- Não continue conversando com o golpista
- Se houve invasão de conta, troque senhas e ative autenticação em dois fatores
Como evitar cair no golpe da “taxa” ao vender na internet
- Negocie e finalize tudo dentro do aplicativo da plataforma
- Desconfie de qualquer cobrança fora do fluxo oficial
- Não clique em links recebidos por WhatsApp/e-mail
- Em caso de dúvida, confirme pelo canal oficial do marketplace
- Prefira meios que tenham proteção antifraude e registro dentro do ambiente

